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CADA SIRICOTICO EM SEU LUGAR
Falando um pouco mais sobre Siricotico. O texto. Aparecem aqui e acolá algumas claras referências a algumas comédias clássicas, principalmente Molière e Martins Pena. A intriga produz situações engraçadas e os atores conseguem aproveitá-las bem. A sequência final onde a história pessoal das personagens se confunde - e se complica - com a trama da peça egípcia que eles estão encenando tem momentos inspirados. É provavelmente o melhor trecho do texto. O final aparentemente "forçado" é típico das comédias de Molière e Martins Pena, uma resolução rápida, que dá o final de todas as personagens simultaneamente de modo um tanto absurdo. É típico desse tipo de dramaturgia mais clássica. Funciona. A linguagem. Aqui a peça apresenta seu "calcanhar de Aquiles". Ou seja, na hora de caracterizar as personagens através da linguagem, a peça peca por não conseguir produzir na organização textual os elementos necessários para o bom funcionamento dos diálogos. Entre brincadeiras temporais, piadas internas e tentativa de mímese do Brasil atual, os diálogos perdem a força, se perdem em nome de uma ação frágil. Mas escrever em diálogos para teatro é uma tarefa árdua que somente o exercício constante e contínuo pode auxiliar. Os autores (Lelo e Vinícius) precisam exervitar mais, reescrever. Escrever outras peças, testá-las com público. Só assim, e não de outro modo, se aprimora a escrita para a cena. As personagens. Do modo como as personagens parecem estar escritas, os atores vão se apropriando e emprestando carne, ossos, inteligência e verdade a cada uma delas. É claro que por causa da necessidade de criar tipos facilmente identificáveis pelo público (já que cada ator irá interpretar, pelo menos, duas personagens) a opção do texto foi de superficializar as personagens. Nada há de ruim nisso. Porém cabe aos atores emprestarem verdade a cada personagem. Assim, o que se vê é que Jarbas consegue criar seus tipos com muita verdade, e acaba se destacando. Jarbas se sobressai provavelmente justamente por ter tido uma formação que ensinou a emprestar verdade na composição do ator. A caracterização vocal e corporal aparecem depois, a personagem vive nas ações. Nilson parece querer trilhar o mesmo caminho, porém parece não dispor dos mesmos recursos técnicos que Jarbas. Lelo (com sua experiência à frente da Cia. Baiana de Patifaria) parece apostar na construção meramente física e vocal de suas personagens. Talvez o tiro esteja saindo pela culatra. Um ator inventivo e talentoso como Lelo deveria ser dirigido a sair da sua zona de conforto para criar outros tipos. A personagem masculina parece forçada. E a personagem feminina parece uma reinterpretação de Fanta, uma das suas criaçõs mais marcantes. É como se Fanta estivesse interpretando uma personagem da peça. E eu sei que Lelo tem qualidades como intérprete que poderiam ser surpreendentes. Alexandre se sai melhor como a apresentadora de TV (!?) do que como o diretor da companhia de teatro. Falta ao diretor a autoridade. Mas tudo isso parece ser resultado da condução da cena. A direção opta por uma frontalidade nas marcações que denuncia a falta de tridimensionalidade da encenação. A peça foi "levantada" pela direção, mas não apresenta uma proposta clara de linguagem. Essa proposta poderia ser uma reinvenção do estilo "patife" de fazer humor. Ou aproveitar esse estilo em prol de uma encenação mais inventiva. A direção é pouco ousada. É como se a diretora tivesse o tempo todo "medo de errar". Ou talvez as tensões provocadas pela responsabilidade de a Companhia Baiana de Patifaria em criar um espetáculo que supere o sucesso dos espetáculos anteriores (principalmente A bofetada) façam com que a condução fique atrelada às necessidades da produção. Mas justamente o que gerou o sucesso de A bofetada foi a engenhosidade e a ousadia de levar ao palco a criatividade daqueles atores. Nesse sentido, a Cia. Baiana de Patifaria precisa se reinventar. Sair dessa sua zona de conforto. Mudar o teatro da Bahia novamente, como fez em 1988. Sem medo de ser feliz.
Escrito por Celso Jr. às 01h23
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O CAMINHO DE SIRICOTICO
Ontem fui assistir Siricotico - uma comédia do balacobaco, da Companhia Baiana de Patifaria. Saí do teatro com uma sensação muito boa. A peça é uma comédia besteirol, com os mesmos cacos e tiradas rápidas que marcaram as outras comédias da CBP. Mas o que me deixou com a boa sensação é que tive a impressão que a Companhia retoma um caminho que parecia ser natural depois de A bofetada. Siricotico tem um quê de tosco encantador. Depois de A bofetada, sempre achei que a Companhia deveria investir em uma dramaturgia escrita especialmente para o humor daqueles atores. Em vez disso, eles montaram Noviças rebeldes. Depois enveredaram por outros estilos que não pareciam se encaixar com a proposta original (Capitães de areia e Vaca Lelé). Porque a Companhia Baiana de Patifaria não é exatamente um grupo. É uma forma de fazer humor no teatro. Do elenco original, apenas Lelo Filho permanece. E parece que esta permanência tenha engessado um pouco o potencial criativo de Lelo como ator, mas não se pode negar sua competência como empresário e produtor. A Companhia Baiana de Patifaria parece retomar o caminho natural que deveria ter sido trilhado pós-Bofetada: buscar dramaturgia inédita. No caso de Siricotico, o texto possui uma fragilidade que é deliciosamente preenchida com o humor típico patife. Fico imaginando se Siricotico tivesse sido escrita e montada em 1994 (no lugar de Noviças rebeldes), hoje a qualidade dramatúrgica das produções da Companhia Baiana de Patifaria poderia estar num outro patamar. Uma sugestão: por que não abrir uma espécie de concurso de textos cômicos curtos e mostrá-los numa montagem de esquetes? Por que não investir em outra produção com texto inédito? Ou ainda uma adaptação contemporânea de uma comédia clássica? (Se quiserem, eu ajudo) Por mais frágil que pareça o texto de Siricotico, ele cria um esteio para que o trabalho dos atores possa ganhar asas. Eu soube que eles estão indo pra São Paulo. Talvez a crítica paulista saiba avaliar melhor.
Escrito por Celso Jr. às 20h07
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MICROTRAGÉDIAS
MICROGODOT V - Então vc está aí. E - Estou? V - Me dê um abraço. E - Não me toque. Não fale comigo. Fique comigo. V - Onde vc passou a noite? Cortina
MICROMEDEIA M - Você me deve um irmão, Jasão! J - Devo falar de mim? M (enquanto mata os filhos) Eu os gerei, eu os matei. J - Monstro! (Música.)
MICRONUDEZ Ele - Tô precisando de um favor de mãe pra filho. Ela - Outra suruba daquela, eu não faço! (Cortina.)
MICROHAMLET H - Ser ou não ser. O - Eu te amei um dia. H- Vai pra um convento! (Pausa) O resto é silêncio. (Música solene.)
MICROBURGUESES A - Tá escuro aqui. B - Quer que eu acenda a luz? A- Não, não vale a pena. B- Que estranho. A- Acho que vou me matar. B- ...
MICROCORAÇÃO Ele - Quero te dar meu coração. Ela - Mas isso é um tijolo. Seu coração é um tijolo. Ele - Mas ele bate por você.
MICROGAIVOTA Ela - Por que você diz que beijava o chão onde eu pisei? Ele - Eu te amo. Ela - Gente como eu se mata. Ele - Eu te amo. Ela - A vida cansa.
Escrito por Celso Jr. às 00h33
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A AUSÊNCIA PRESENTE
Ontem fui assistir ao espetáculo Partiste, que tem texto e direção de Paulo Henrique Alcântara. É a peça de formatura da última turma do curso de teatro da Faculdade Social da Bahia, onde eu lecionei durante produtivos e inspirados cinco anos, antes de passar no concurso público (sonho herdado) e ir dar aulas na longínqua cidade de Laranjeiras, na Universidade Federal de Sergipe. Abre um parêntesis importante. Quem pensa que sempre foi meu sonho dar aulas num curso noturno de licenciatura em teatro, numa cidade do interior de Sergipe, está redondamente enganado. Estou lá por força das circunstâncias. Fecha o parêntesis. Voltando a Partiste. A peça é baseada nas memórias do autor. Ele desconstrói suas memórias e cria uma casa materna de atmosfera quase idílica, de sonho. Os atores, minhas crias também, estão se oferecendo de corpo e alma para dar vida àqueles personagens imaginados por Paulo Henrique. O cenário é surpreendente. O figurino é engraçado. E a trilha sonora tem belos momentos. Mas eu quero falar de uma coisa que me chamou muita atenção, ontem, no teatro. Poucas vezes, a dramaturgia consegue representar uma ausência de modo tão tocante, tão palpável. A peça conta as pequenas histórias de uma família. A mãe, duas filhas e um filho. Há um filho ausente, que partiu para São Paulo e nunca mais deu notícias. Há a tia caduca, que necessita de cuidados até para a higiene mais íntima. E há o pai caminhoneiro. O pai, na peça de Paulo Henrique Alcântara, está vivo, mas nunca está presente. E essa ausência é forte, densa, palpável. Essa ausência corrosiva vai dominando sutilmente a peça. E acaba por criar uma força magnética que atrai toda a atenção para este pai, sempre ausente, cujo rosto a gente sequer pode ver. Mas é uma ausência presente. A figura paterna em Partiste funciona como um Godot. Não é no filho que foi embora pra São Paulo que se instala a espera. É no pai. Se na peça de Beckett, Godot representa uma ausência de esperança, na peça de Paulo Henrique, a ausência do pai representa uma força gravitacional que equilibra a presença sufocante e onipresente da mãe. Assim, a família encontra seu equilíbrio. O tom melancólico do espetáculo é ressaltado pela ausência do pai, que está sempre viajando. Uma peça triste. E bonita. Uma bela despedida.
Escrito por Celso Jr. às 00h27
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A FÁBULA DA CULTURA NA BAHIA (autor anônimo, infelizmente)
Num Pelourinho densamente povoado por baratas, conversam uma Cigarra e uma Formiga:Cigarra- Voce viu, o que Caetano escreveu sobre o Pelourinho? Formiga- Caetano não entende nada do Pelô! Cigarra- Como é?! Formiga- Foi o Governador que disse... Cigarra- Ah. E se o governador disse...? For- Quem discordar é de direita e é viúva do carlismo! Cig- Mas e o Secretário? Não foi financiado durante décadas pelo carlismo? For- Você não entende nada de carlismo. ACM vive e o Secretário é de esquerda! Cig- Diz o povo do Band'olodum que quando o diabo não vem manda o secretário. For- Se o Secretário é viúva, é porem honesta. Cig- Honesta?! Parece que os atores do olodum não ganham cachê até hoje. For- São todos artistas privilegiados e ainda querem ganhar cachê?
Num Pelourinho densamente povoado por baratas conversam uma Cigarra e uma Formiga: Cig- Caetano disse que tinham abandonado o Pelourinho porque era obra de ACM. For- Caetano é de direita. Cig- No mês que o Teatro Municipal do Rio foi reinaugurado ao custo de 200 milhôes, aqui o Teatro Jorge Amado está fechando... For- Jorge Amado é carlista e é de direita. Cig- Em Buenos Aires o Teatro Colón foi todo reformado como uma das principais salas do mundo e aqui o telhado (a cobertura) da Concha Acústica do TCA caiu. For- Vamos interiorizar a Concha. Cig- Aqui não se inaugura nada! Numa favela do Rio inauguraram o Centro Cultural Waly Salomão. For- Quem?! Cig- Esqueça. O jornal A Tarde revelou que cerca de 50% dos projetos aprovados em editais da Secult não receberam recursos. Pode? For- Os artistas só ficam se lamentando... Reclamar é coisa de artista carlista. Cig- Mas voce realmente acha correto lançar outros editais quando quase metade dos anteriores não foram pagos?! Divulgar o edital e depois não pagar ou cancelar não é uma fórmula nazista de manipulação da mídia! For- A cultura tem que ser autosustentável! Voces ainda vão ver os resultados dessa política... Cig- Mas em todos os principais países do mundo a cultura é subsidiada pelos governos. Você já ouviu falar nisso, não?! For- Vamos criar aqui um novo modelo para o mundo. Cig- Modelo novo? Aqui há tempos não acontece nada de importante. Os espaços estão vazios e os grupos de música, teatro e dança estão à míngua. O movimento cultural de Salvador é o mesmo de uns 30 anos atrás...Modelo... novo?! For- Não aguento mais... Vocês só dizem a mesma coisa? Cig- Quando todo mundo diz a mesma coisa é a opinião da maioria... ou não? For- São todos viúvas do carlismo. Cig- Voce quer dizer que todo o povo do Cultura na UTI e mais Caetano, João Ubaldo, Emmanoel Araújo, Nizan Guanaes, Aninha Franco, Fernando Guerreiro, Edgard Navarro, Elísio Pitta, Geraldo Maia, Washigton Queiroz, Gideon Rosa, Smetak, a família Amado, a família Caymmi e tantos, tantos outros são todos carlistas? For- Claro! E nós não podemos nem dialogar com carlistas. Cig- E Rodin? For- Hem? Cig- O Museu Rodin é um projeto carlista! E dos mais questionáveis!! For-... É? Cig- E ao fim do mandato vai ser a grande obra cultural do governo Wagner. For- Mas nós vamos interiorizar a cultura. Cig- O Museu Rodin então faz então de Wagner um governador carlista? For- Claro que não! Wagner é um governador de esquerda!! Cig- Um governador carlista de esquerda?? For- Mas Rodin é... importante. Cig- Então vamos ficar eternamente auto-sustentados entre o Rodin carlista (real) e a interiorização (imaginária) da propaganda? For- Não esqueça da cultura popular. Cig- E aí vamos ter de aturar que enquanto em SP eles fazem a "virada cultural" com mais de mil eventos na capital e mais de mil eventos no interior em uma única noite, aqui a "virada" é contra o fechamento do Teatro Jorge Amado. Enquanto no Rio eles planejam um novo Museu da Imagem e Som (65 milhões) no Rio aqui temos de ficar discutindo o fechamento... do Armazém Cenográfico (no máximo 30 mil reais). For- É por isso que vamos interiorizar... Cig- Mas quando? Quer dizer que se Wagner continuar a Secult tambem continua como está??!! Isto é: sucateamento do Pelourinho, do Balé Folclórico, do Balé do TCA, da Fund. Casa de Jorge Amado, do Teatro XVIII, editais midiáticos, cinismo, dirigismo e arrogância?? For- Vamos i n t e r i o r i z a r... Cig- E você ainda diz que nós é que dizemos sempre a mesma coisa. For- É como disse La Fontaine: ri melhor quem ri por último.
Moral: Quando chegar a hora, pense um pouco antes de votar. |
Escrito por Celso Jr. às 11h46
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HÁ ALGO DE PODRE NO FEUDO TECNOLÓGICO DO IHAC
Fato: me inscrevi no concurso para ser professor do IHAC-UFBA. Fato: a área para a qual eu me inscrevi não era exatamente a área que eu domino: Contemporaneidade, arte e tecnologia. Fato: fui eliminado na prova escrita. Ou seja, tirei uma nota inferior a 7, numa prova escrita que não tinha nada de extraordinário, que era versar sobre "Universidade, interdisciplinaridade e produção de conhecimento". Fato: Não deve ter sido a prova escrita o motivo da minha eliminação (e de outros 10 candidatos) e sim a análise dos currículos dos candidatos. Pois só não foram eliminados os candidatos que possuiam experiência específica na área de tecnologia aplicada. A pergunta que não quer calar: Como descobriram isso através das provas escritas?? A resposta à essa questão é simples. A banca examinadora (ok...) decidiu fazer uma análise dos currículos dos candidatos para definir quem seria eliminado ou não. Não importa que minha prova escrita tenha sido inspirada, bem escrita e contivesse conteúdos pertinentes à questão proposta. Não era isso que estava sendo examinado na prova escrita. A banca examinadora (ok...) resolveu aproveitar e eliminar quem não interessava a eles. Mas isso é feio. Me faz pensar que o IHAC se transformou em um feudo dentro da Unviersidade. E isso é muito feio. Mas a História prova que os feudos desaparecem. É claro que eu tô puto, tô frustrado e triste. Mesmo sabendo que eu teria poucas chances de ocupar a vaga numa área que não é a minha área específica. Mas o que me deixa revoltado é perceber a cara-de-pau da tal "banca examinadora" de usar o poder da eliminação da prova escrita de modo tão descarado. E assim se faz a Universidade Nova. De qualquer modo, eu havia preparado minha aula sobre o tecnocorpo no teatro contemporâneo e exemplos históricos do uso da mídia no teatro.
Escrito por Celso Jr. às 13h12
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O ADEUS AO SERENIDADE
No dia 27 de abril de 2009, eu assinei contrato de aluguel para morar no Ed. Serenidade, em Aracaju. O apartmento imenso, num andar alto, em pleno Centro da cidade, encheu os olhos. A primeira noite dormida no Serenidade foi muito estranha. Homens circulavam o quarteirão a madrugada inteira, assoviando alto nas esquinas. Só depois, eu fui saber que eram vigias noturnos da rua, contratados para zelar pela segurança da região. O Serenidade aos poucos se mostrou um elefante branco, um dinossauro de urbanidade cravado no centro da cidade. Aos poucos, conviver com as baratinhos que infestam os elevadores começou a se transformar num transtorno. Aos poucos, conviver com a sujeira, a má gestão do condomínio e os estranhos ruidos noturnos transformou o transtorno em pesadelo. Mas chegou Laplagne pra fazer companhia. E as aventuras no Serenidade passaram a ter humor. Os amplos espaços do apartamento foram preenchidos por gargalhadas e bom humor. Afastados os fantasmas. Mas os pequenos problemas persistiram. Então, um ano depois, surgiu a possibilidade de mudar. Para morar do lado de lá da Barão de Maruim. Para sair do Centro confuso, engarrafado e barulhento e ocupar um apartamento cinco andares acima. A aventura aracajuana continua agora no bairro São José. Pertinho do centro, pertinho do Bompreço, mas agora com vista para a Ponte. Mas agora com varanda. Mas agora com dois banheiros. A aventura aracajuana - e nem sei até quando durará - continua. Mas agora vejo o Serenidade de cima, do alto do décimo segundo andar. Agora preciso ajustar a minha bússola interna para voltar pra casa no lugar certo. Colocar no meu GPS interno o novo local para chamar de "minha casa". São José vai me ajudar.
Escrito por Celso Jr. às 08h42
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REPOST DE 2004
toda mudança
Toda mudança é necessária. Toda mudança é difícil. Toda mudança nos excita. Toda mudança nos assusta. Toda mudança extenua. Purifica. Renova. Acresce.
Escrito por Celso Jr. às 10h31
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FANTASMA DE TEATRO
Dizem que todo teatro tem fantasmas. Mas, pra isso, é preciso que o teatro se transforme num velho teatro, que tenha uma vida longa, com ecos de muitos espetáculos, para que os fantasmas possam circular em paz, assustando os funcionários, arrepiando os atores e inspirando a todos. O Teatro Jorge Amado é um jovem teatro. Inaugurado há pouco mais de 10 anos. Ainda não deu tempo de gerar seus fantasmas. Eu me lembro da primeira vez que entrei no novo teatro. O cheiro de obra recém-inaugurada, as cadeiras novinhas. O teatro pareceu monumental naquele momento. Fui assistir a uma peça baseada na obra de Jorge Amado. Lembro dos atores em cena. Era um momento de felicidade pura. A abertura de um novo teatro na cidade. Um teatro na Pituba. Garcia Lorca diz que a cultura de um povo se mede pela qualidade de seu teatro. E o Teatro Jorge Amado trouxe a qualidade dos espetáculos para a Pituba. Aos poucos, a programação do teatro foi transformando aquele ponto num centro de cultura. Um teatro que tem público próprio. Uma das principais qualidades do TJA é a dimensão da sua plateia. Seus 400 e poucos lugares são ideais para acomodar com conforto e boa visibilidade as peças que ficariam perdidas na imensidão do palcão do TCA, ou que não caberiam no acanhado espaço do SESI, por exemplo. É um teatro de médio porte. Por lá passei com "Quem matou Maria Helena?", com "Pluft", com "Como Raul já dizia". Sempre com casa cheia. Sempre com a sensação de estar em casa. Teatro de energia boa. Gente boa tomando conta. Se Garcia Lorca está certo em dizer que a cultura de um povo se mede pela qualidade de seu teatro, o que ele diria de um povo que permite que as portas de seus teatros se fechem para sempre? Um teatro - por mais que tenha um dono - é um bem cultural do público que o frequenta. Cadê o teatro Diplomata? O que está havendo com o ACBEU? O que está havendo com os teatros de Salvador? Um teatro que se fecha é uma esperança de uma vida melhor que se apaga. Tudo que eu desejo é vida longa ao Teatro Jorge Amado. Para que surjam os bons fantasmas do teatro. E que se exorcize esse mau fantasma do abandono, do aniquilamento, da perda de mais um espaço para o teatro. O que podemos fazer? O que eu posso fazer? A hora de fazer é agora. Antes que seja tarde demais.
Escrito por Celso Jr. às 18h27
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LONGE DOS OLHOS E PERTO DO CORAÇÃO
Muito tempo sem escrever aqui. O que falta é um foco. Não gosto derramar aqui palavras vãs. Tenho feito isso no Twitter. Muitas coisas aconteceram nestes quinze dias de ausência nos cadernos. Passei por uma situação caótica que beirou a guerra-civil, na rodoviária de Aracaju, tentando chegar ao meu local de trabalho. Imagino que a solução, a esta altura, seja acionar o sindicato, para ver se se pode fazer alguma coisa que efetivamente resolva o problema. Recebi a notícia temerária de que o queridíssimo professor Raimundo Matos de Leão foi acometido da terrível dengue hemorrágica e passou uns dias de molho no hospital. Falei com ele ao telefone e a voz potente e radiante foi animadora. O problema agora é de saúde pública. A dengue está avançando novamente. Foi assim há cinco anos, quando eu tombei. Precisamos nos livrar dos mosquitos. Mas como fazer isso sem a ajuda de uma prefeitura que permanece inerte e ineficiente? Semana que vem, teremos mudança de casa em Aracaju. O fim da Serenidade. O edifício em que eu morei durante pouco mais de um ano só tem serenidade no nome. É sujo, barulhento, caótico e mal conservado. Chega de elevadores fedendo. Chega de baratinhas pelos corredores. Chega de vigias assoviando a noite inteira. Saio do 7º andar e ocupo o 12º, em outro prédio. Mais moderno. Mais bonito. Mais bem localizado. Um upgrade na vida sergipana. E fica há uma quadra do Bompreço do bairro São José! É a felicidade em forma de CEP. A vida segue. Em sonho me veio a concepção do novo espetáculo do Grupo Caixa Cênica. Quero estrear em finais de março. E estarei no elenco. Até lá, tenho tempo de seguir na academia, preparando meu corpo para o novo papel. Por enquanto tudo é segredo. Em breve, será divulgado o novo projeto. O Caixa Cênica esteve em Salvador apresentando Felicidade conjugal ou Quase isso. Uma linda foto ilustrou a pequena matéria no Jornal A Tarde. Tivemos um bom público no Vila Velha. Quero é mais. Pier está crescido! Vai fazer 2 anos no próximo mês, mas parece que tem 4 ou 5. Imenso, sorridente e inteligente. Está na Holanda. Meu coração apertado de saudade.
O que está bombando no iPod: Harald Weiss - trilhas sonoras. Fique ligado. Já é uma dica.
Escrito por Celso Jr. às 23h43
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