.:cadernos grampeados:.
   A ÚLTIMA NOITE EM QUE EU ACREDITEI EM PAPAI NOEL

Eu lembro de ter visto Papai Noel voando ao longe, no seu trenó com as renas. E lembro de ter ficado confuso porque um primo meu tinha dito que Papai Noel não existia. Mas eu estava vendo aquela coisa brilhante, voando lá no alto, se destacando no céu escuro da noite de dezembro.

 

Eu devia ter uns 6 anos de idade, no máximo. E a gente sempre ia passar a noite de Natal na casa de Tia Dilna, que morava no Grajaú, numa bela casa de arquitetura moderna dos anos 50. A casa, incrustada numa pedra, dava muros com a floresta da Tijuca, num local mais alto que dava pra ver a cidade iluminada.

 

Tia Dilna é irmã de minha avó paterna. Nesses dias de Natal, se juntava a família inteira, uma mar de primos e primas de todas as idades. Nós fazíamos um alvoroço, todos muito excitados com a festa de Natal, as comidas, os doces, a farra.

 

Tio Adalberto – marido de Tia Dilna – colocava na vitrola musiquinhas de Natal tradicionais, nada de música moderna, só depois da meia-noite, quando a sala da casa se transformava em pista de dança para os primos adolescentes e alguns adultos mais animados (embalados com uísque, sempre!)

 

Naquela última noite em que eu ainda acreditava em Papai Noel, eu devo ter comentado com Ricardo – um primo uns meses mais velho que eu – ou com Adriane (outra prima mais velha), de que eu estava ansioso pelos presentes que Papai Noel me traria. Um deles deve ter me feito a revelação bombástica de que o velhinho vestido de vermelho, cercado de renas e com um saco de presentes era apenas uma lenda.

 

Eu devo ter ficado a noite inteira pensando nisso.

 

Até que, pela grande varanda da casa de Tia Dilna eu vi, com meus próprios olhos, lá longe o que só podia ser ele: Papai Noel e suas renas, voando lentamente pelo céu da cidade iluminada.

 

Hoje, mais de trinta anos depois daquele Natal, imagino que deva ter sido um balão desses que as pessoas soltam em dias de festas. Era no Grajaú. Devia ser um balão grande. Ou foi minha imaginação, meu desejo de que Papai Noel existisse realmente.

 

Só sei que depois dali o Natal perdeu um pouco da graça.



Escrito por Celso Jr. às 19h24
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A coceira no ouvido atormentava. Pegou o molho de chaves, enfiou a mais fininha na cavidade. Coçou de leve o pavilhão, depois afundou no orifício encerado. E rodou, virou a pontinha da chave em beatitude, à procura daquele ponto exato em que cessaria a coceira.Até que, traque, ouviu o leve estalo e, a chave enfim no seu encaixe, percebeu que a cabeça lentamente se abria.

 

Marina Colassanti, Contos e Amor Rasgados.



Escrito por Celso Jr. às 19h41
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Sempre me surpreendi com a falta de sutileza dos meus contemporâneos.

Samuel Beckett, O expulso, 1947



Escrito por Celso Jr. às 11h48
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   PARA EVITAR A ESTACA ZERO

2006 tá terminando.

O negócio agora é fazer uma bela retrospectiva recontando tudo de mais interessante que foi feito nesse ano, para que afastar a impressão de que o ano passou em vão e que estamos começando 2007 da estaca zero.

Não.

2007 tá começando com a conta acima da linha vermelha. O saldo tá positivo. E, apesar de tudo, acho que 2006 foi um ano de mais ganhos que perdas.

Vou pensar numa retrospectiva divertida que valha a pena ser vivida. Para que reviver a memória de 2006 seja produtivo, divertido e útil.

Vamos a ela:

JANEIRO – Inicio o ano em São Paulo, na companhia de Tib e Rogério Sanchez (um fofo que eu encontrei na grande cidade). Já de volta a Salvador, o jovem Glauber passa pela minha vida feito um cometa.

FEVEREIRO – Emoção ao assistir Brokeback mountain, na companhia de b. Emoção ao assistir Munique, de Spielberg, sozinho. Emoção ao assistir Match point,de Woody Allen, um dos melhores filmes do ano. Emoção ao assistir Capote, outro belo filme. Fim da temporada de Hamlet, dever cumprido. Carnaval morando em Ondina é só festa. A vantagem é estar a dois minutos de casa.

MARÇO – Aniversário em Aracaju. Encontro com Christian e Luís, o casal chileno mais simpático! Início do tratamento homeopático para controlar a herpes crônica.

ABRIL – Calor em pleno abril. Aquisição da caixa com a 1ª temporada de Lost. Celebração mundial dos 100 anos de nascimento de Beckett. Encontro com Léo. Goteira na minha casa, seguida de reparos no telhado do prédio. Tib  e Duda em Salvador.

MAIO – Geo é assaltado a menos de 200m de casa, a polícia vai atrás do assaltante e o derruba a tiros. Dia das mães – como sempre – melancólico. Nasce Cecília, filha de Tuca e Paulinho (amigos queridos). Polêmica sobre a peça do Núcleo de Teatro do TCA: Hackler optou por uma peça que tem apenas 3 homens no elenco. Estréia de Estilhaço[s], peça dirigida por mim, formatura da turma de interpretação teatral dos alunos da UFBA.

JUNHO – Aquisição da caixa com a primeira temporada de Gilmore girls. Morte de Guido Guerra, amigo escritor, pai de Dora Bélica, minha amiga. Dor: tenossinovite de D’Quervain no polegar direito. Tratamento com terapia ocupacional. Copa do Mundo zzzzzzzzzz. Visita de Rogério Leite, chef de cozinha profissional. Jantar no Amado: melhor refeição do ano: Pato com nhoque romano. Léo sempre presente.

JULHO – Em cena com Fim de partida, de Beckett, sob a direção do aluno Davi Maia. Kevin Spacey assume a direção artística do teatro The Old Vic, em Londres. Começo a assinar ss cadernos grampeados com meu nome e deixo de lado o pseudônimo: Halber Mensch. O filme marroquino A grande viagem me emociona. Viagem ao Rio para ver minha avó. Assisto a Transamérica, com Felicity Huffman. Clima seco e quente no Rio de Janeiro, não há inverno. Assisto à peça O púcaro búlgaro.

AGOSTO – Termino de ler O diabo veste Prada. Fico sabendo que Meryl Streep está no filme. Início dos ensaios de Todos os que caem, de Samuel Beckett.

SETEMBRO – Leio o instigante e magnífico romance Trabalhos de amor perdidos, de Jorge Furtado. Viagem a Aracaju: férias. Início da campanha eleitoral 2006. Assisto ao filme brasileiro Árido movie. Assisto ainda aos filmes Café da manhã em Plutão, A dama na água e O diabo veste Prada. Minha coluna trava na lombar, Léo me leva de emergência a Ma To Chi. O avião da Gol é atingido pelo Legacy e cai: 154 mortos.

OUTUBRO – Deixo a barba crescer e me dou conta de que está quase totalmente branca. Jaques Wagner ganha as eleições logo no primeiro turno. Especulações sobre quem irá ocupar os cargos públicos. Assisto ao espetáculo O contêiner. O escritor inglês Mark Ravenhill faz 40 anos e escreve sobre isso no jornal The guardian. Estréia Mestre Haroldo e os meninos, de Athol Fughard, encerrando a polêmica sobre a escolha dos atores no TCA. Fui assistir à peça A virada, sob direção de Andréa Elia.

NOVEMBRO – Tentativa de embarcar para São Paulo. Caos no aeroporto. Estréia morna de Todos os que caem. Dois filmes brasileiros: O céu de Suely, de Karin Aïnuz e Eu me lembro, de Edgard Navarro. Teatro: A casa dos espectros. Apresentação de Notícias de Godot, dirigida por mim, na Escola de Teatro.

DEZEMBRO – Cinemão: Os infiltrados, de Scorcese. Viagem a São Paulo, na companhia de b. Melhor experiência teatral do ano: Camaradagem, do Grupo Tapa. De volta a Salvador, Natal na casa de Eneida. Duda e Edmo na cidade. Aniversário de Léo na Cia. da Pizza. Reveillon programado para a casa de Roger Mercês. 2007 é lucro!



Escrito por Celso Jr. às 10h34
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   MEDOS

Ultimamente tenho tido mais medo das palavras que dos fantasmas.

Escrito por Celso Jr. às 12h14
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   DIÁRIO DE VIAGEM – RESUMÃO DIAS#07 & #08 – TERÇA E QUARTA

Já de volta ao calor africano. (A mulher mais bonita do mundo disse que não gosta quando eu falo que na Bahia faz um calor africano. Ela acha que é pejorativo, devo evitar futuramente).

Mas é necessário fazer o resumão porque os dias foram intensos e meu companheiro de viagem aparentemente gostou dos últimos dias.

TERÇA – Acordei b. por volta das 11h da manhã de terça e não permiti que ele se demorasse muito. Nem permiti que comesse muito no café da manhã. Eu estava realmente com intenção de almoçar num lugar bacana que não fosse uma praça de alimentação de um shopping em fim de tarde.

Andamos até o Shopping Pátio Higienópolis, onde percorremos as alamedas fazendo pequenas compras e olhando as vitrines elegantes. Então paramos no restaurante Ráscal e convenci b. a almoçar ali. Pedimos exatamente a mesma comida. Um ultra-delicioso ravióli verde de mussarela de búfala ao sugo acompanhado de um polpetone recheado de queijo com manjericão. Comida deliciosa além de um atendimento que beira a perfeição.

Ao sairmos, pedimos instruções com uma das sub-gerentes do restaurante para chegarmos ao Ibirapuera, onde deveríamos ver a exposição do MAM[na]OCA. Fomos de ônibus. Eu arrasei no senso de direção.

A exposição é um luxo. Conceitos claros e indicações precisas. Nos fizeram refletir sobre a falta de clareza de idéias da Bienal. MAM[na]OCA é o que havia de melhor em São Paulo para se ver em artes plásticas.

Saímos apressadamente do Ibirapuera a tempo de evitar os engarrafamentos do fim de tarde e fomos bater perna na Paulista. Fomos até a Livraria Cultura, onde estava havendo noite de autógrafos do novo livro de Amyr Klink e onde b. adquiriu um livro de antropologia. Então seguimos de metrô para casa. Estava chovendo e essa era a melhor maneira de chegar lá.

Ao chegar em casa, cozinhei para Tib e seus convidados (Alessandro e Vera). Fiz um filé de peixe com banana e mussarela, com molho de tomates e leite de coco. Ficou bem gostoso.

Depois do jantar, b. foi visto se arrumando e, segundo se soube, foi parar na festa “Tapa na pantera”, na Lôca. E aqui silencio meu relato sobre a terça-feira.

QUARTA – Mais uma vez acordei b. e saímos de casa mais cedo. Fomos diretamente almoçar no simpático buffet a peso chamado Estação República. Me acabei no feijão.

Saímos do restaurante e fomos fazer um passeio a pé pelo centro de São Paulo. Levei b. ao Theatro Municipal, atravessamos o Viaduto do Chá, olhamos o Anhangabaú. Então descemos ao metrô e rumamos para a Pinacoteca.

Bela arquitetura do prédio. Pelas obras do acervo, principalmente as esculturas. Eu já tinha ido algumas vezes lá, mas nunca tinha visto o acervo permanente. Belo passeio.

Foi então que b. quis voltar ao Pátio Higienópolis para fazer algumas compras de presentes. Pegamos o metrô até a Consolação e, de lá, descemos a Av. Angélica toda, até a esquina da Av. Higienópolis, onde fica o shopping. Andamos um pouco por lá. Então resolvemos voltar pra casa, a pé.

Antes de voltar pra casa, passamos na padaria e no mercado de flores do Largo do Arouche. Mas faltaram alguns itens importantes das compras para a casa, então voltei a Higienópolis (já sem b.) para comprar café, leite e suco. Na volta pra casa, já além de exausto, Beto me liga para que eu fosse buscar a encomenda de Duda no ... Largo do Arouche, em frente ao mercado de flores...

Lá volto eu. Rapidamente, retorno para casa. Entro no banho e me arrumo para o que viria na noite.

Sidnei e seu amigo André nos convidaram para uma pizza na Piola. Um local hype, moderninho, ponto-de-encontro da galera descolada dos Jardins. Pizzaria nada familiar. Depois disso, desovamos b. e André na Bubu Lounge, uma boate para jovens. Sidnei me deixou em casa.

CODA – O retorno para casa no aeroporto caótico de Guarulhos foi até menos doloroso do que eu imaginei que seria. Apenas 2h30min de atraso. Embarque pelo portão internacional. Depois de um tempo na fila é que eu percebi que tínhamos de apresentar nossos passaportes. Passaporte pra entrar na Bahia? Era só o que faltava. Mas apenas apresentei o cartão de embarque e me deram passagem.

A chegada à Bahia se deu através do carinho e gentileza do Arquiteto Gracinha, que veio me buscar no aeroporto. Estou de volta. E de férias.

Escrito por Celso Jr. às 02h16
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   DIÁRIO DE VIAGEM – DIA#06 – SEGUNDA

Logo na manhã de segunda-feira, eu e b. fomos andando ao shopping Pátio Higienópolis porque b. queria ir ao Pátio Higienópolis. Em lá chegando, andamos um pouco, olhando as vitrines, vimos novidades até que, de repente, b. foi acometido de um surto de consumo. Ele que, até estão, estava bem controlado com suas compras, surtou. Eu que, normalmente, não consigo controlar nem a mim mesmo, comprei apenas uns sabonetes na Lush.

Eu queria almoçar no Ráscal, mas quando terminamos nossas compras, o salão já estava fechado. Ao sairmos do Higienópolis, pegamos um ônibus na Av. Angélica e descemos no finzinho da Paulista. Fomos direto para o Center 3, na esperança de que o restaurante Páteo da Luz estivesse aberto. Ledo engano. Acabamos comendo na praça de alimentação mesmo. Eu acertei no pedido: comidinha caseira, arroz, feijão, costelinha de porco assada, brócolis no alho e ovo frito. B. errou, tadinho. Não comeu quase nada.

Depois dali, atravessamos a Paulista e fomos ao Conjunto Nacional para dar uma olhada na Livraria Cultura.

Aqui, abre-se um parêntesis. Está fazendo muito calor em São Paulo, a temperatura varia entre 30°C e 32°C. E, na Cultura, parece que o ar-condicionado morreu. Simplesmente não há. Um calor abafado inaceitável. Eu até estava com uma pequena pilha de livros nas mãos, mas foram abandonados em uma das prateleiras, antes mesmo de perguntar aos atenciosos vendedores quais eram os preços.

Tib, que até então esteve trabalhando na tarde de segunda-feira, nos encontrou por ali. Pegamos um ônibus e descemos para a esquina da Augusta com a (Rodeo Drive) Oscar Freire para eu resgatar minha mochila que havia sido submetida a uma cirurgia de customização pela equipe de estagiários de uma faculdade de moda, capitaneados pelo fofo Edu. Acabei fazendo comprinhas na galeria Ouro Fino, umas camisetas.

Aí, começou a trovejar. Relâmpagos iluminavam a noite. Não demorou muito, o céu desabou em forma de água. Ficamos presos na Galeria Ouro Fino. Tib aproveitou pra comprar uma camisa. E b. aproveitou pra comprar presentes pro povo dele.

Saímos quando a chuva tinha passado e a água descia em grossas torrentes pelos bueiros da rua Augusta. Fomos nos encontrar com Sidnei, no Ritz.

O Ritz é aquele velho e bom restaurante e bar, inaugurado em 1981, que está comemorando 25 anos de abertura, que foi Meca das pessoas bacanas nos anos 80. Comida boa e cara. Gente bonita pensante. Mas uma coisa me chamou atenção. Quando eu freqüentava o Ritz, nos anos 80, eu tinha 19, 20 anos e todos os freqüentadores tinham mais ou menos a minha idade. Naquela noite de segunda-feira, olhei em volta e vi em quase todas as mesas pessoas com cerca de 40 anos. Provavelmente são os mesmos freqüentadores. Estamos todos envelhecendo juntos e indo ao mesmo Ritz de sempre. Com a diferença de que eu não moro aqui. Será que eles nunca enjoam? Por que será que em Salvador não há um local assim, realmente tradicional?

Depois de muito papo entre mim, Sidnei, Tib e b., fomos esticar no Fran’s da Haddock Lobo. Lá, encontramos Dimitri. Sidnei e b. engataram um papo divertido. E Tib encontrou-se com o guapo Alessandro, com quem acabou saindo de lá para outros programas mais privados.

A noite de segunda se encerra com uma carona de Sidnei que deixou a mim e a b. aqui.



Escrito por Celso Jr. às 11h18
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   DIÁRIO DE VIAGEM – DIA#05 – DOMINGO

O dia começa com Liberdade e termina Lôca.

Domingo é dia de Liberdade. Colocamos nossas bermudas para aproveitar o dia de calor e entramos nos buracos de metrô para chegar ao bairro japonês em dia de feira.

Fomos direto ao Itiriki, um simpático restaurante com buffet por peso de comida japonesa e chinesa. Delicioso como sempre. E depois fomos bater perna pela feirinha, comprar colheres de pau de bambu, e outras coisinhas de casa nas lojas mais tradicionais.

Acabei comprando uma panela pesada e não continuei o passeio com Tib e b. Voltei pra casa e fiquei relaxando, aguardando a programação noturna. Tib e b. ainda foram ao Center 3 ver as bibas do subsolo e ao Shopping Frei Caneca ver as bibas do Shopping Frei Caneca.

À noite, fomos para a divertida boate chamada Blue Space, na Barra Funda. A boate toca um som meio drag-music, meio house. O público é mais pobrinho e tem algumas flores no pântano. Eu fiquei dançando um pouco e logo depois começou o divertidíssimo show de transformistas. Normalmente, eu não curto muito esse tipo de espetáculo, mas a Blue Space investe na qualidade do show. Realmente espetacular. Divertido, bem dirigido, bem interpretado, teve até direito a uma performance de uma cantora (mulher de verdade) cantando ao vivo (de verdade) sobre um playback de house instrumental. Bacana mesmo.

Como no domingo a Blue Space abre na sessão matinê, por volta da meia-noite e meia, já estávamos no táxi voltando pra casa. Meu companheiro de viagem, o jovem b. estava quicando dentro do táxi e eu e Tib sugerimos que ele fosse para A Lôca. O motorista atento já desviou o caminho para lá.

Desovamos b. na Loca. Eu e Tib deixamos um papelzinho escrito com o endereço, os telefones, o mapa para chegar em casa e uma cópia da chave. B. só ia se perder se quisesse. Não sei mais o que houve com ele. Quando eu acordei de madrugada pra fazer xixi, b. estava todo encolhidinho na cama dormindo. E acordou com um sorriso nos lábios. Coisas da Lôca.

Antes de voltarmos pra casa, eu e Tib (dois tios) fomos comer um sanduíche de pernil no Estadão, uma lanchonete tradicional do centro de São Paulo. De barrigas forradas e felizes por termos proporcionado uma noite de aventuras noturnas a b., fomos dormir tranqüilos o sono dos justos.  A segunda-feira prometia. E cumpriu.



Escrito por Celso Jr. às 02h55
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   DIÁRIO DE VIAGEM – DIA #04 – SÁBADO

Todos os caminhos levam à Praça Roosevelt ou A noite na Babilônia. Seis pontos a serem lembrados no sábado.

Mais um dia intenso de percorrer a cidade pra lá e pra cá. Pouco tempo pra digerir. Pouco tempo pra mastigar a cidade.

1. A primeira parada do dia de sábado foi numa loja de cosméticos na esquina da Av. Ipiranga com a Av. Rio Branco, Centrão mais “centrão” da cidade. Os passos frenéticos de Tib e b. se confundiam com os passos apressados de todo o resto da metrópole.  O objetivo era simples: comprar um creme ou um gel ou um cosmético qualquer para os cabelos de Tib. No passeio frenético à base da cafeína consumida minutos antes, no café-da-manhã em casa, a cidade mais histórica vai passando ao largo: Theatro Municipal, esquina da Ipiranga com a São João (ponto que, sem os versos de Caetano, jamais teriam qualquer atrativo a mais). Cinemas com vídeos pornôs sendo servidos na manhã de sábado. É a São Paulo que em pouco se difere de Belém, Salvador, Aracaju, Campo Grande. Ali, é uma cidade como as outras.

2. Em seguida, um ônibus nos transporta subindo a Augusta, atravessando a Paulista e nos deixando na esquina da Oscar Freire, em frente à Galeria Ouro Fino. Na Galeria, compras. Na Oscar Freire, o olhar ávido de b. pelas vitrines das grifes. Subimos e descemos, percorremos os caminhos da prêt-a-porter paulistana. Num momento, cruzando a rua Haddock Lobo, ouvimos um rapaz rico, carregado de compras, falando ao celular: “Tô saindo da Rodeo Drive e tô indo te encontrar”. É a São Paulo que em pouco se difere de Los Angeles, New York, Paris, Londres. Ali, é uma cidade como as outras.

3. Nossa saída foi tomar um táxi e rumar pra praça Benedito Calixto. Estou em busca do fauno de bronze que me escapou há um ano. Percorremos as pequenas barracas de objetos de arte, quinquilharias diversas, pequenos mimos, fragmentos de memórias de muitos alguéns reunidos na praça a céu aberto. Comemos pastel, bebemos coca. Não havia meu fauno, ele ainda me escapa. Entrei na Benedixt, uma loja de objetos para casa. Comprei um belo despertador digital, surgido a partir do olho atento de b. que o viu na prateleira, entre outros belos objetos. Neste momento, o grande amigo urso Nélio entra em contato: ele estava nos aguardando em seu carro amarelo.

4. A casa de Nélio e Sérgio está ficando linda. Eles a compraram exatamente há um ano. Desde então, estão arrumando aos poucos. Aconchegante, bonita, elegante, cheia de memórias recolhidas em pequenos objetos aqui e ali. Nos divertimos com os DVDs de Sérgio, com o humor especial de Nélio; e nos alimentamos com um delicioso e delicado salmão ao forno preparado pelos meninos. Ainda houve sobremesa: sorvete de chocolate branco e calda de amoras no uísque.

5. Nélio (muito gentil, como sempre) nos deixou em frente ao Espaço dos Satyros para que comprássemos ingressos para a peça. Ainda não estavam à venda. Então, fizemos reserva e viemos para casa nos aprontar para a experiência da peça à meia-noite. A peça é uma versão para o palco da obra do Marquês de Sade: A filosofia na alcova. Conta a história de como um nobre francês entrega a sua filha recém saída do colégio interno para ser educada nas artes do amor e do prazer por dois dos maiores libertinos da época. Na verdade, trata-se de um exercício bastante interessante sobre a natureza humana, forçando seus limites corporais e morais, buscando levar a platéia a estabelecer relações entre a libertinagem na França do século XVIII e o nosso país hoje. Pequenos efeitos de simulação de escatologia, imagens fortes, atores inexperientes, belos corpos nus. A intenção não parece ser criar um choque com o que é visto e ouvido em cena, mas criar campos estéticos onde a discussão filosófica e, principalmente, política possa ser cultivada. Uma boa experiência.

6. Após a experiência sádica, rumamos para a Lapa, encontrar as três mil pessoas de óculos escuros, sem camisa, pulando e dançando ao som do tum-tsi-tum da The Week, em mais uma festa Babylon. As barbies de todas as idades se misturam à fauna emo, todas fritando os cérebros (já fraquinhos) com a mistura de ecstasy e sabe-se-lá-o-quê-mais. Dancei o quanto pude. Bebi Absolut. Me perdi de b. por uma hora. Eu e b. nos perdemos de Tib por duas horas. E vimos o sol nascer na pista de dança. Pontualmente às 7h da manhã de domingo – horário de Brasília – entramos num táxi e a aventura de sábado terminava na padaria, comprando pães para recuperar a energia.

Domingo é dia de Liberdade.

 



Escrito por Celso Jr. às 13h03
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   DIÁRIO DE VIAGEM - DIA #03 - SEXTA-FEIRA

Dia de Língua Portuguesa e Antunes.

Mais um dia cheio de aventuras, andando pelas ruas da cidade imensa ou nos subterrâneos caminhos do metrô de São Paulo.

O dia merece ordem cronológica.

1. Visita ao Museu da Língua Portuguesa, ali na Estação da Luz. Belo museu de imagens que contam a história, a origem, influências e coisas específicas da nossa língua. Muito interativo e com um visual ultra-sedutor, as palavras ganham forma, pode-se brincar com elas.

Num outro andar, uma exposição magnífica criada por Bia Lessa. Ela cria uma instalação onde o visitante é convidado a percorrer os caminhos do Grande Sertão - Veredas, de Guimarães Rosa. Bela, teatral e lúdica. Há um delicado momento onde podemos escutar a voz de Bethânia lendo trechos. E ainda os banheiros da instalação, onde os gêneros feminino e masculino se confundem em imagem, propósito e poesia. Bia Lessa recria a poesia de Guimarães Rosa até nos banheiros do Museu. Diadorim = homem/mulher. A língua vira equação sexual na arte de Bia Lessa.

2. Tempestade. Raios trovões sobre a cidade. Com medo de sermos inundados, nos refugiamos sob as marquises da Estação da Luz. Depois de um tempo, corremos ao primeiro buraco de metrô e seguimos para o Shopping Iguatemi onde, depois de uma refeição perfeita num restaurante caro (comi um paillard recheado de brie, com molho funghi e batatas sautée) percorremos as vitrines das lojas caras. Dolce & Gabbana, Calvin Klein, Armani. Meu dinheiro não compra nada daquilo. Era preciso um belo surto para pagar R$200 numa cueca. Eu disse duzentos reais, e disse uma única cueca, que ficará escondida por baixo dos meus jeans baratos.

3. Antunes Filho nos apresenta sua versão para a obra de Suassuna. A montagem de A pedra do reino é um belo exemplo da estética de Antunes em mais um universo: o sertão nordestino. Plenos de sotaques até bem feitos, os atores paulistas suam muito para darem conta do universo de Ariano. A peça acaba sendo meio chata. Mas é boa. E a platéia sai renovada, feliz de poder ver um sertão tão bem retratado. E de longe, pelos olhos de Antunes. Um mestre, sem dúvida. Mas a serviço de quê?

Depois do teatro, a noite foi criança.



Escrito por Celso Jr. às 01h19
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   DIÁRIO DE VIAGEM - DIA#02 - QUINTA-FEIRA.

Dia de Bienal e Teatro.

Um dia exaustivo, mas muito "cultural". Eu e b. andamos muito, perambulamos pela cidade. Ver a cidade através dos olhos de b. tem sido muito interessante. Ele não conhecia São Paulo. Está se deslumbrando com a cidade imensa. Por conseqüência inevitável, eu me deslumbro também. Às vezes, porém, fica claro que está sendo informação demais sobre direções, endereços, regiões, transportes. Mas estamos nos divertindo muito nas lições sobre o metrô. Eu tenho deixado ele indicar os caminhos para chegar aqui e ali.

Então vamos.

ALIMENTENTAÇÕES - Café-da-manhã básico em casa. B. tem se divertido com lichias (frutinhas chinesas bonitas).

O almoço só foi acontecer no início da noite, depois da tarde exaustiva na maratona Bienal. Fomos almoçar no Viena do Shopping Paulista. Estrogonof básico com arroz.

Antes de ir ao teatro, paramos no simpático restaurantezinho Pasquale, para tomar um café. O cheiro da comida estava convidativo.

Lá pela meia-noite, fomos à Bella Paulista, onde eu enchi a cara de pão e tomei uma tijela de caldo verde bem gostoso e revigorante. Depois disso, descemos a rua Augusta inteira, passeando entre os puteiros e clubes de rock. Numa bela caminhada pela night hetero da cidade.

BIENAL DAS ONGS - Momento crítico. O que pensar de uma exposição em que o discurso político e social é mais visível e mais aparente do que o discurso estético? Isso será arte? Ou é arte a serviço de problemas sociais? Arte com função? Muitas das "obras" expostas não passam de trabalhos educacionais onde a arte é usada como meio de expressão social. Nada contra esse tipo de expressão. Mas o lugar dessa expressão não deve ser uma exposição de arte. Há alguns belos exemplos de exceções onde o discurso estético fala mais alto, ou onde a inspiração política cede espaço para uma obra verdadeiramente tocante.

No fim das contas, a Bienal de 2006 se parece com uma Feira Social de Artesanatos. Deveria se anexar ao Forum Social Mundial. Lá cumpriria melhor sua função.

QUANDO O TEATRO ALCANÇA UM OUTRO NÍVEL DE EXPRESSÃO - Fomos assistir a uma peça chamada Camaradagem, com texto August Strindberg e direção de Eduardo Tolentino, com o Grupo Tapa. O grupo se apropria magistralmente do texto contundente de Strindberg e avança pelos caminhos da expressão além do teatro psicológico do autor. Às vezes parece dança. Às vezes as frases do texto - e como são ditas - forçam uma reflexão de emergência. Para além das relações homem/mulher, a peça transborda teatralidade e reforça minha percepção de que há sempre a possibilidade de reler cenicamente bons textos. Basta ter a responsabilidade e a ousadia na medida certa para isto. Achar esta medida é outro problema. O Grupo Tapa achou. É esplêndido!


B. se aventurou no meio da madrugada paulistana. Aonde foi? O que fez? O que deixou de fazer? Jamais revelarei. Até mesmo porque não sei. Só sei que eu comprei uma camiseta da Daspu. Quem devia estar usando era b.



Escrito por Celso Jr. às 12h24
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   DIÁRIO DE VIAGEM - SÃO PAULO DEZEMBRO 2006 - DIA#01

Por mais surpreendente que pareça, o aeroporto estava tranquilíssimo, e o vôo saiu com poucos minutinhos de atraso apenas. E esses minutinhos acabaram sendo compensados nas duas escalas: Porto Seguro e Ribeirão Preto. Um verdadeiro cata-corno. Mas acabamos chegando em São Paulo vinte minutos antes do horário previsto.

Depois de passar a noite em claro, depois de passar quatro horas dentro de um avião, depois de atravessar a 23 de maio dentro de um taxi ouvindo Vivaldi, eu e b. chegamos à casa de Tib.

Tib nos aguardava com um belo café-da-manhã. Depois de algumas fatias de pão com queijo e uma xícara de café com Molico, eu desmaiei na cama.

De acordo com a nossa programação - eu e b. estamos muito organizados para vermos tudo o que planejamos - saímos todos e pegamos um busu para subir a Consolação e bater-perna na Paulista.

Então, como sempre, vamos por partes.

GASTRONOMONO - Almoço no Shopping Center 3. Eu comi um belo filé de salmão grelhado, com molho de catupiry, acompanhado de risoto de gorgonzola, nozes e pera e brócolis ao alho. Muito bom. b. comeu um talharim com camarões e tomate seco, mas não caiu bem, parece que ele não curtiu.

No meio da tarde, eu e b. (já sem a companhia de Tib, que foi pra análise) tomamos um café com leite na Reserva Cultural.

À noite, o jantar foi em casa mesmo. Comemos um delicioso lombo de porco ao forno - que Tib havia preparado - arroz e batatas na manteiga.

Coca light, coca light.

 

PERCORRENDO A CIDADE - O passeio foi pra conhecer a Paulista e arredores. Batemos perna, atravessamos a avenida completamente, da Consolação ao Paraíso.

Paramos no MASP pra ver três exposições: Design Japonês Contemporâneo, com engenhosidade e ausência de espaço nas residências, os designers japoneses têm que se virar pra conseguir dar cabo das exigências domésticas. A exposição começa nos anos 50 e vai até 2003. E um aviso: aquele lap top finíssimo, lindinho, potente, de 10 mil reais que vc tanto anseia para seu futuro, pra eles já é passado: estava entre os designs de 2002...

Depois fomos ver o acervo do MASP. Angélica continuava acorrentada, fazendo beicinho.

Ainda no MASP, fomos ver os bronzes de bailarinas de Degas. Lindas peças com movimento. Lindo momento. E ainda fotografias contemporâneas do acervo Pirelli.

Depois do MASP, percorremos os caminhos da FNAC e ainda uma exposição que eu até agora não entendi no Itaú Cultural...

E voltamos para casa de Metrô, exaustos.


Compritas: Adquiri um CD de vários Djs brasileiros tocando suas subversões para clássicos do Kraftwerk. Parece bom. E ainda três livros: Novelas, de Beckett; Casa de bonecas, de Ibsen; As bodas de Fígaro, de Beaumarchais (com tradução de Barbara Heliodora)



Escrito por Celso Jr. às 10h39
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   A RAVE DO AEROPORTO

Lá vou eu de novo pro aeroporto, no meio da confusão, sem saber se vou embarcar.

Desta vez, eu permaneço lá até entrar num avião e decolar. Nem tem conversa. Estou preparado pra enfrentar as horas de espera com litros de milkshake do Bob's e tudo mais.

Além do mais, estou oficialmente de férias, não tenho nenhum compromisso sério agendado em São Paulo. Quero ir à Bienal, quero ir ao teatro, quero ver umas coisas, fazer umas comprinhas na véspera de Natal... Nada muito estressante, muito pelo contrário.

Terei a companhia de b. durante a viagem, então temos esse acréscimo de aventura: mostrar a cidade para uma pessoa que ainda não conhece. Passear pela Paulista. Tomar café no Frans. Ver as pessoas no Ritz. Essas coisas que a gente sempre faz, mas que na companhia de uma pessoa que não conhece ganha um sabor diferente.

Estou feliz. Tomara que o vôo não demore a decolar.

Como sempre, estes cadernos se transformam em diário de viagem.

Aguardem!



Escrito por Celso Jr. às 19h50
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   DIAS DE CLIMA TEMPERADO.

Dias de calor infernal temperado com pimenta e cozido no vapor. O calor está desagradável. Não me lembro de ter experimentado logo nos inícios de dezembro um calor tão abafado. A coisa tá tão grave que eu cheguei a pensar em dar um mergulho no Porto da Barra. Quando eu chego a aceitar esta possibilidade é que a coisa está chegando a um limite.

É por isso que eu tô indo pra São Paulo na terça-feira. Quer dizer, eu tô indo pro aeroporto. Se eu vou conseguir mesmo embarcar é outra história. Pelo menos no aeroporto tem arcondicionado e Bob's. De que mais eu preciso?

Em São Paulo, uma programação intensa. Cultural, banal, pé-na-jacal. Meu sonho é perambular pela 25 de março na véspera de Natal, no dia que sair o 13º do povo. Aquilo sim é que é carnaval da Bahia.

Meus amigos paulistas já me avisaram pra levar roupa de mergulho. Porque a água tá caindo a todo momento. É trocar Salvador (esta sauna a vapor) por São Paulo (aulas de mergulho). Tô lenhado.

Mas em São Paulo é sempre mais divertido. E desta vez terei companhia. Um amigo que nunca foi a São Paulo está vindo comigo, para que eu apresente a cidade a ele. Isso vai ser bem divertido.

Bom Natal.



Escrito por Celso Jr. às 11h03
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   DEPENDE DO CORTE

"mas tudo aquilo está nos textos de Shakespeare. Depende de como se faz o corte."

Barbara Heliodora, em entrevista à Folha de São Paulo.



Escrito por Celso Jr. às 10h42
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   BOMBA-RELÓGIO.

A bomba-relógio está ligada novamente. Vai estourar. Já aconteceu e vai acontecer novamente.

Frase de um dos controladores de vôo de Brasília, responsável pelo controle do Legacy, no momento do acidente com o avião da Gol, em entrevista ao site G1.



Escrito por Celso Jr. às 17h43
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   NOTÍCIAS DA ÁFRICA.

Tá fazendo um calor africano. Muito sol, alguma chuvinha aqui e ali. Mas o calor grassa! E eu chego a ficar preocupado, porque eu soube que o outono europeu está mais quente do que o normal. Ou seja, se a temperatura média da terra estivesse realmente equilibrada, pra equilibrar o calor daqui, lá no hemisfério norte já devia estar nevando. Mas não. Lá tá quente, aqui tá quente. Vai acabar derretendo os pólos.

Eu quero ser um pingüim.

O semestre está acabando finalmente. Faltam apenas duas mostras de matérias práticas, uma na UFBA e outra na FSBA (que por um acaso do destino foram marcadas para o mesmo dia, claro, pra infernizar a minha vida) Depois disso, apenas uma prova-final e então: férias.

Mas aproveito pouco os dias de verão africano. Vou me jogar no calor do verão paulista. Queira o Nosso Senhor Todo Poderoso que esteja fazendo um friozinho em São Paulo. Teve um ano que eu cheguei a pegar 16ºC em terras paulistas, em pleno dezembro. Mas sei que é pedir demais. Levarei bermudas e camisetas.

Os dias de verão pedem só uma coisa: shopping! É perfeito! Tem de tudo, tem ar-condicionado, tem musiquinha de Natal irritante, lojas cheias de gente incinerando o 13º para se arrepender até antes do carnaval. Sim porque, no carnaval, as pessoas se enchem de dívidas de novo, pra comprar abadás.

Eu vou pro shopping e fico andando pelos corredores, aproveitando o ar-condicionado de graça e tentando controlar meus impulsos consumistas. Só comprei umas cuequinhas Calvin Klein necessárias báááásicas.

Agora meu único dilema é: qual a melhor data pra tirar os enfeites de Natal das caixas e armar a pequena árvore de enfeites dourados e bolas coloridas? Quando se faz isso? Os shoppings começaram logo depois do dia das crianças. Eu em casa? A nível doméstico? Qual a melhor data de produzir o lar com motivos natalinos?? Pense!


Fui ao cinema ontem para assistir a um dos melhores filmes do ano, que certamente estará na lista dos indicados ao Oscar: Os infiltrados, de Martin Scorcese. O elenco já é uma maravilha: Leo Di Caprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Alec Baldwin (que desde que deixou essa bobagem de galã, tem se mostrado um excelente ator, para determinados papéis), Martin Sheen e Mark Whalberg. O filme é excelente. Roteiro impecável (baseado em um filme chinês) e atores dando show na tela. Depois de dois navios naufragados como Gangues de Nova York e O aviador, Scorcese recupera uma linha narrativa que ele mesmo havia inventado com maestria há uns 20 anos atrás. Retomou o fio da meada. E fez um filme brilhante.

Aviso aos mais delicados. O filme é impróprio para menores de 18 anos, mas não tem uma única cena de sexo ou nudez. Mas é um dos filmes mais violentos dos últimos tempos. Explícito. De uma violência que parece gratuita justamente porque não está inserida num contexto hiper-estetizado. Não tem estética em excesso, tem história. E trata de identidades e de desvios de identidades.

p.s. Cinema é ótimo porque é escuro e tem ar-condicionado.



Escrito por Celso Jr. às 19h06
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