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SEMANA PASSADA. SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA.
Semana passada foi dedicada às atividades culturais. Durante a semana teve o encontro com Wim Wenders e com José Padilha, depois o encontro com a surpreendente e extraordinária Orlan. Mas teve mais.
SÁBADO - Fui assistir ao espetáculo teatral Pessoas invisíveis, do grupo Armazém. Até hoje não sei direito se o grupo é carioca, paulista ou mineiro. Acho que a sede deles é na Fundição Progesso, no Rio, mas os atores têm sotaques misturados. Enfim.
Eu já havia assistido Toda nudez será castigada, de Nélson Rodrigues, no CCBB carioca. Tinha sido uma experiência bem bacana. Gosto principalmente das atrizes.
Desta vez, o espetáculo apresentado foi baseado nos quadrinhos de Will Eisner. Mais uma vez as atrizes se destacam. Pequenas histórias entrelaçadas. Fantasmas rondando um velho prédio onde moram pessoas entristecidas. Historinhas pequenas de pessoas invisíveis. O músico que perde a esposa. O zelador que se envolve com a menina falsa-ingênua. O desencontro do casal que decide marcar um encontro, mas esquecem de dizer de que lado da rua era para esperar. Gente comum. Cenário lindo.
Tudo muito triste.
DOMINGO - Foi dia de assistir ao espetáculo de comemoração dos 20 anos do Balé Folclórico da Bahia.
A primeira parte do programa era Sagração da primavera, coreografia de Zebrinha para o clássico moderno de Stravinsky. Dançarinos negros e mulatos vestidos com sungas e tops cor da pele tentavam desesperadamente seguir o ritmo da música de Stravinsky, numa coreografia tecnicamente difícil e muito atlética.
Zebrinha decidiu ignorar o libreto da obra de Stravinsky que narra claramente uma pequena história primitiva pagã. Mas Zebrinha não nos ofereceu a história, nenhuma história. A música - apesar de muito cortada - continua impactante. Os dançarinos pareciam pouco à vontade no palco. Eles estavam dançando dança "séria", mas não pareciam ter a menor idéia do significado de cada movimento que faziam no palco. Acabou parecendo que eles estava gastando muita energia para pouco resultado.
Uma pena. Porque na segunda parte do programa, as coreografias já conhecidas de representações de orixás, puxada de rede e capoeira mostram a energia do que o grupo pode realizar. A resposta do público foi imediata. Uma injeção de adrenalina e emoção.
Depois do espetáculo, um longo e lamentoso discurso de Vavá, diretor do grupo.
Na média, deu pra passar.
SEGUNDA - Recebi um telefonema com um convite para assistir à pré-estréia do filme Linha de passe, de Walter Salles e Daniela Thomas. Justamente o filme que deu o prêmio de melhor atriz a Sandra Corvelloni, no festival de Cannes deste ano.
A ante-sala do multiplex Iguatemi estava lotada de gente ansiosa por ver o filme.
Antes da projeção começar, um pequeno discurso de Walter Salles. Agradecimentos. E a informação de que aquela seria a primeira exibição do filme no Brasil. É uma honra e um privilégio.
O filme narra as histórias de uma família que vive na periferia de São Paulo. Uma mulher - grávida - e seus quatro filhos tentam sobreviver na grande cidade.
Cada pequena história vai acrescentando humanidade e detalhes à vida de cada um daqueles personagens. Poesia sobre pequenas coisas. Pequenas vidas.
Aos poucos, vemos se desenrolar na tela cada personagem cometendo uma pequena falha de caráter. Pequenos erros que geram outros pequenos erros. O filme vai caminhando para algum desenlace trágico. Algo de muito ruim pode acontecer a qualquer momento.
E a vida passa.
Saí do cinema com o coração apertado. A direção não permite que se faça a catarse. E nos deixa com o coração apertado. É um lindo filme.
Na platéia do cinema, sentadas atrás de mim, umas moças riam e falavam o tempo todo. Chegou a incomodar as pessoas ao redor. É a falta de educação que se é obrigado a conviver. E dá raiva imaginar que elas sequer pagaram ingresso para estarem ali. Pérolas às porcas.
Escrito por Celso Jr. às 18h49
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O ESTRANHO MUNDO DE ORLAN
Fui assistir à palestra de ORLAN, no MAM-Salvador.
ORLAN é uma artista. Ela nasceu na França há uns sessenta anos. E a arte dela propõe questionamentos sobre o corpo, a identidade, a representação. E ela faz isso através de instalações, hibridizações gráficas digitais (misturando imagens de seu rosto com o rosto de pessoas de outras etnias) e também performances cirúrgicas que resultam em body modification.
ORLAN tem atualmente duas próteses nas têmporas, como dois calombos.
ORLAN retirou um pedaço de seu abdome e vende as finas fatias de sua própria carne imprensada em placas de resina como relíquia. Como ex-voto.
ORLAN subverte a noção metafórica de "vender o corpo" das prostitutas. Ela literalmente vende fragmentos de seu corpo.
Não há diferença entre seu corpo e sua obra. Ela É a própria obra. E não permite que as pessoas a fotografem. Ela rompeu os limites da metáfora. Ela não representa nada. Ela é a própria representação.
Durante a palestra, ela se mostrou inteligente, bem humorada e simpática. Seu discurso bem estruturado e altamente referenciado é uma prova de que ela não é uma louca varrida. Ou pelo menos é uma louca varrida bem fundamentada.
A (des)organização do MAM se mostrou em todo seu esplendor. Havia um esquema de tradução simultânea para o público (ORLAN ministrou a palestra em francês). Na platéia ávida, cerca de 300 pessoas. Porém, só havia 150 fones de ouvido para a transmissão simultânea da tradução. Depois de muita confusão, este problema foi resolvido com a opção de uma tradução consecutiva (com uma tradutora sofrível e insegura) O que prejudicou - e muito - o andamento da palestra.
Além disso, a demora interminável para a entrada na sala causou um atraso de quase quarenta minutos.
Muita desorganização. Improvisação. Falta de planejamento.
Mas valeu pela para conhecer a vida, a obra e o corpo desta mulher extraordinária.
Se tiver curiosidade - e estômago - é só acessar o site dela. http://www.orlan.net/
Escrito por Celso Jr. às 12h05
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WENDERS E PADILHA
Pouco mais da metade da platéia de mil e seiscentos lugares estava ocupada, quando começou a apresentação feita pelo médico André Trajano.
Trajano é o proprietário dos cinemas Salas de Arte de Salvador. Trajano tentou ser espirituoso, tentou emplacar umas piadas e dispensou a segurança do púlpito, se arriscando a ficar solto no palcão do TCA, com um microfone de lapela. Tiro pela culatra. Ele fez propaganda de suas salas de cinema, falou muito e tentou ser simpático.
Enfim, Padilha e Wenders entraram no palco.
Wenders entra no palco vestindo uma calça jeans surrada, uma camisa social cinza escura e um sobretudo. Nas costas, uma mochila. Cabelos grisalhos compridos. Óculos. Atravessa o palco e vai se sentar numa das poltronas do lado esquerdo do palco, junto com Trajano.
Padilha, usando um boné que impedia que víssemos seu rosto, começou a falar sobre seu método de criação de histórias. Falou da importância da construção de uma dramaturgia, para o cinema, não importando se o que está sendo realizado é uma obra de ficção ou um documentário. Falou da importância da Teoria dos jogos para a sua criação. E nos informou o quanto a Teoria dos jogos é responsável pela opção de, em seus filmes, evitar uma visão moral das personagens. Expor as regras do jogo, expor as peças que irão jogar e conduzir o jogo como um árbitro, cuja função ali é de observar se as regras estão sendo seguidas.
A Teoria dos jogos é um ramo da matemática aplicada. Na matemática nada é moral. Não há uma ética. As coisas são o que são e se apresentam de acordo com determinadas regras.
Então, Padilha apresentou trechos de Ônibus 174 e de Tropa de elite. Tentando demonstrar suas idéias e, citando Brecht, tentou refutar as acusações de que ele seria ideologicamente de esquerda ou de direita. A visão que Padilha tem de Brecht é superficial, mas demonstra boa vontade em aprender.
No fim de sua palestra, eu já estava simpatizando com ele e com suas idéias. Os filmes pareceram melhores depois que eu ouvi o que ele tinha a dizer. E isso foi bom.
Chegou a hora de Wenders falar. Ele trazia um notebook da Apple em sua mochila. Abriu o notebook sobre o púlpito e comjeçou sua longa e bem conduzida palestra sobre a necessidade de um cineasta (de filmes documentários ou de ficção) de criar suas obras falando de um lugar. Os lugares falam por si.
Ele falou de cinema comercial americano. E o quanto esses filmes poderiam se passar em qualquer lugar. Que muito do cinemão comercial não possui identidade. Ou seja, ignora os sotaques e as características dos lugares.
Então ele falou com muito carinho de Central do Brasil. Lembrei da sensação impactante que eu tive ao assistir Central pela primeira vez, logo na abertura do filme, as sonoridades captadas da estação central de trem de subúrbio. Aquela sonoridade me "puxou" pra dentro do filme imediatamente. Me conduziu para aquele lugar.
Wenders falou da sensação de vergonha da geração dele por ter nascido numa Alemanha pós-guerra. Falou de seus primeiros filmes. E falou com especial cuidado de Asas do desejo (cujo título original, lembrou Fabiana Pimentel, O céu sobre Berlim, faz muito mais sentido para compreender o que ele diz). Segundo ele, este é um filme sobre a cidade de Berlim. E que ele teve a idéia de fazer o filme, ao circular pela cidade e perceber que havia muitos anjos espalhados. Monumentos, estátuas, decorações de casas e prédios públicos e privados.
Wenders falou sobre cinema americano. Disse que ia assistir aos filmes comerciais, Batman, Harry Potter e que esses filmes servem para divertimento, e só. E que às vezes todos nós precisamos de filmes assim, apenas para divertir. Mas que às vezes é necessário um filme que nos alimente a alma.
Então, ele nos mostrou dois novos filmes seus. Dois documentários que se passam numa região remota do Congo.
O primeiro é bem curto (uns 2 minutos e meio) e se chama War in peace (Guerra em tempos de paz) e mostra os homens de um vilarejo remoto do Congo que, após 50 anos de guerras violentas, passam as tardes diante de uma tela de cinema improvisado assistindo a filmes de guerra violentos. Após muitos anos de violência e guerra, eles só se identificam com aquele tipo de filme.
O segundo filme é lindíssimo e tristíssimo. O título é Invisible people (Pessoas invisíveis) e tem 20 minutos de duração. Mulheres do Congo narram para a câmera suas terríveis experiências de estupro e abusos, durante os anos de guerra civil em sua região. À medida em que narram suas pequenas histórias de dor e violência, as imagens dessas mulheres vão sumindo da tela. Ficam apenas as suas vozes. Elas se tornam invisíveis.
Um aperto no coração. São várias histórias, contadas por várias mulheres. A mesma história. Estupros coletivos. Brutalidade. Seqüelas trágicas, abortos, esterilidade. Mulheres invisíveis.
Depois de alguns minutos de projeção, o DVD deu algum problema e o filme foi interrimpido. Wenders elegantemente narrou os últimos momentos de filme e falou das condições de filmagem e das estratégias que eles tiveram de usar para conseguir os relatos.
Triste e belo.
A noite terminou com perguntas a ele e a Padilha.
Perguntas polêmicas a Padilha, que se saiu bem humoradamente das provocações.
Uma pergunta incompreensível a Wenders que tentou responder e, no meio da resposta, disse: "eu sei que não estou respondendo à pergunta, mas é que eu não entendi mesmo".
Risadas e aplausos.
Trajano encerrou a noite tentando fazer mais algum comentário engraçado, mas eu já estava de saída, nem ouvi.
Acabei comendo temaki, no rio vermelho, na companhia de Amadeu, Fabiana, Léo e Adriana. Muito divertido.
O que está bombando no iPod: Philip Glass - Naqoyqatsi.
Escrito por Celso Jr. às 11h20
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BOSSA NOVA E WIM WENDERS
Nesses dias de chuva de fim de inverno baiano, tenho ouvido bossa-nova. João Gilberto, Gal Costa (Cantar) essas coisas. Chove.
Tomara que alague a Centenário. É detestável a ação eleitoreira barata do atual prefeito de Salvador de encher a cidade de obras apressadas e sem um planejamento direito. A Centenário está toda em obras. Uma mega-obra. Segundo a propaganda eleitoral, isso vai acabar com os constantes alagamentos. Mas, quem vai pagar a conta? Desespero desse imbecil.
Mas amanhã tem Wim Wenders no Fronteiras do Pensamento. Quero ouvir este homem falar. Pra me inspirar.
E mês que vem tem Philip Glass tocando piano no TCA, no mesmo projeto Fronteiras do Pensamento.
Salvador tá massa.
Notinha sobre o início da propaganda eleitoral na TV. Hoje o candidato ACM Neto veio dizer: "Eu sou um prefeito à altura de Salvador".
Piada pronta. Ele tem no máximo, 1,60m de altura.
Escrito por Celso Jr. às 00h28
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SOBRE A GRANDE DIFICULDADE DE ESCREVER AQUI
A impressão que me dá é que escrever aqui tem sido cada vez mais difícil.
Escrever os diários de viagens foi fácil. Tem sido fácil nestes anos todos. Escrevo aqui desde 2004. Isso é bastante tempo. Segundo a editora do extinto site "Bem resolvida", meu blog tem um bom material crítico. Não sei exatamente o que ela quis dizer, mas achei que era um elogio.
Henrique Jesuíno, meu amigo querido, e uma das pessoas cuja opinião e referências mais me influenciaram, me enviou certa vez um e-mail falando que ele carecia da compreensão dos motivos da criação e manutenção de um blog pessoal.
Na verdade, eu o compreendo hoje. Naquela época, os blogs ainda não eram esse instrumento poderoso de jornalismo rápido e independente. Os blogs ainda estavam engatinhando. Havia poucos blogueiros "profissionais".
Hoje até Caetano Veloso tem o blog dele. Gerald Thomas foi um dos primeiros que eu li. Primeiros entre as celebridades. Eu li também o blog de Leila Pinheiro (encantada com o nascimento dos filhotes de sua poodle).
Hoje eu leio os blogs de amigos próximos. E leio a poeta pisciana Ana Peluso. Porque ela é diferente. Do resto. Tenho lido o moleskine de Renata. Tenho me divertido.
Continuo sem ver os pingüins que desembarcam nas praias da Bahia.
Pra mim, é sinal do fim do mundo. Todas as informações científicas que deram até agora para explicar o surgimento dos pingüins nas praias da Bahia não me convencem. Continuo achando que eles simplesmente mudaram a rota de migração. E que a partir de agora, todos os anos teremos pingüins na Bahia. O tempo dirá.
Pingüim não é metáfora de nada.
Escrito por Celso Jr. às 11h49
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DOIS TEMPOS E ONTEM
ONTEM
O pequeno Pier veio me fazer uma visita. A mãe dele passou aqui rapidamente e entregou o pacote com uma cadeirinha, uma bolsa com fraldas e uma mamadeira e uma colchazinha.
A princípio, o pequeno observou todo o apartamento curiosíssimo. Depois reclamou um pouquinho. Peguei no colo e fiquei passeando com ele. Em pouco tempo, adormeceu. Coloquei o menino na cadeirinha. Dormiu uns bons 45 minutos. Acordou reclamando. Coloquei um pouco de água filtrada na mamadeira (seguindo instruções da mãe) e matei a sede do rapaz.
Logo depois ele arrotou no meu colo e fomos para o meu quarto. Deitei-o no centro da cama de casal, sobre a pequena colcha. Ele ficou entretido observando a janela e a televisão.
Então, a mãe do moço chegou. Terminava meu primeiro turno como babá de Pier.
Depois de soltar muitos peidos, a mãe de Pier percebeu que o rapaz estava todo cagado. Houve uma troca de fralda.
Quase todos os momentos da tarde foram devidamente registrados em fotos.
PRIMEIRO TEMPO.
Terça-feira em casa. Acordei com uma bruta enxaqueca. Tomei um analgésico e voltei para a cama com frio. Em Salvador faz frio.
Acordei no início da tarde e fiz comida. Um frango em pedaços com molho caramelizado com curry e shoyu e abobrinha, acompanhado de arroz jasmin no perfume de anis e batata-doce cozida.
Passei o resto da tarde resolvendo pequenas tarefas burocráticas e acadêmicas.
SEGUNDO TEMPO
Por volta das 17h30min peguei um ônibus que me deixou no Atelier de Culinária da Perini. Hoje tive aula. Aprendi a fazer quatro tipos de paella, com Isael Santos, o chef do restaurante Yemanjá.
Primeira paella: Valenciana. Carne de porco, frango, coelho e chouriço espanhol. Bom.
Segunda paella: Marinera. Lulas, camarões, mexilhões e chumbinho. Muito bom.
Terceira paella: Mista. Todos os animais anteriores misturados. Delícia!!
Quarta paella: Negra. Todos os frutos do mar anteriores, tingidos com a tinta da lula. Na teoria é mais bonita e mais gostosa que na prática.
Poderei testar as receitas em casa, na minha mega-wok adaptada. Mas não dá pra fazer pouca quantidade. Tem que convidar um batalhão de cobaias.
O que está bombando no iPod: Adriana Calcanhoto - Três. Calcanhoto reinventa Marina/Antônio Cícero. Achei a cifra para violão. Quero essa canção para mim.
Escrito por Celso Jr. às 00h54
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FINDE
Fim-de-semana típico.
Nada a fazer. Muito sono. Lavei as cortinas e coloquei pra secar penduradas nos locais delas mesmo. Receita de família.
Domingo, fiz raviolis de batata-doce com noz moscada, regados na manteiga com sálvia e um perfume de alho. Dividi minha experiência com Tom, que veio almoçar comigo.
Hoje, já na segunda-feira, fiz tagliolini (uma espécie de espaguete fininho), com molho bolonhesa.
A máquina de macarrão sendo testada.
Chove na capital baiana. Em diversos blogs, relatos sobre encontros com pingüins. Não vi nenhum até agora. É uma tristeza. Me deu a impressão de que tenho olhado pouco pro mar. Ou nos momentos errados.
A tarde dedicada a arrumação. Joguei toneladas de músicas no lixo. Ganhei quase 8Gb de espaço.
Agora a máquina de lavar pratos está roncando na cozinha. Eu deveria estar roncando na cama (não dormi direito, atormentado por pesadelos, acordei de madrugada aos gritos), mas serei babá do pequeno Pier (que estará sendo deixado aqui em algum momento pela mãe dele)
Vidinha assim.
Bombando no iTunes: Bajofondo Tango Club - En mi/Soledad.
Escrito por Celso Jr. às 16h04
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CHELPA FERRO E COMMEDIA DELL'ARTE
Ontem foi terça-feira. Meu dia de folga.
Pela manhã, fui ao banco, depositar o dinheiro do condomínio caríssimo. Para um prédio que não tem porteiro, não tem elevador e não tem área de lazer, o que eu pago é um excesso. A justificativa é que são apenas sete apartamentos e o único funcionário - um zelador de vida fácil, que trabalha aqui há quase trinta anos - fazem as contas ficarem pesadas. Vá entender.
Fui a pé - já que não possuo mais carro, que foi levado pela justiça pelos verdadeiros donos.
Na volta passei no mercadinho para comprar alguma coisa para o almoço.
Frango assado desfiado. Salada de tomate, queijo branco e manjericão temperada com azeite da Tunísia. E isso foi meu almoço. Depois das férias gastronômicas em São Paulo, preciso perder alguns quilos excessivos.
Logo após o almoço, segui minha maratona da 6ª temporada de Gilmore girls, cuja caixa eu comprei recentemente.
Léo me buscou no fim da tarde para irmos ao MAM, ver a exposição do grupo Chelpa Ferro. Na capela do museu, estava exposta a obra Jungle Jam, uma floresta elétrica, meio fantasmagórica, divertida e assustadora, onde equipamentos elétricos são acionados aleatoriamente e fazem girar sacos plásticos com griffes famosas. Luiz Zerbini e seus companheiros do grupo Chelpa Ferro não estão ali pra brincadeira. A proposta em si é simples e interessantíssima. Merecia uma iluminação mais cênica. O MAM precisa pensar nisso.
Fomos "adotados" por um rapaz que fazia a monitoria da obra. Ele explicou detalhes sobre os artistas, cruzou informações com outras obras do grupo e fez de tudo para que comprássemos o livro. Acabamos levando apenas um programa da exposição, com uma entrevista. O rapaz monitor era bem simpático.
Do museu, fizemos uma parada na Perini na Graça. Comemos salgadinhos, eu tomei um suco de laranja e ainda uma bola de sorvete de chocolate com crocante.
Dali, fomos ao Teatro Xisto Bahia para assistir à montagem de O mentiroso, uma peça do italiano Carlo Goldoni, traduzida e dirigida por Marcus Villa Góis.
Lenira Santos interpretando o velho Doutor Balela é impagável. Assim como é surpreendente o trabalho de Analice Lessa na construção de seu Pantaleão. Mas quem rouba a cena mesmo é a pequena Rebeca Dantas fazendo a Colombina. Um frescor em cena. E os figurinos são lindos: palmas para Rino de Carvalho que transforma trapos em luxo.
Duas coisas sobre a montagem.
Primeiro: é preciso cuidar das vozes dos atores. Não se pode subir num palco com a voz inculta. Do texto, muito se perde. O personagem Arlequim - feito por uma atriz - perde completamente a graça porque não compreendemos a voz da atriz. Não dá pra entender o que ela diz devido aos floreios vocais que a moça emprega, sem se preocupar com a articulação da fala. É uma pena.
Segundo: se o diretor está em cena como ator, o assistente deve ser primoroso na hora da marcação para evitar que as cenas fiquem "sujas" pelo acúmulo de gente em cena, sem um foco de ação.
Mais uma coisa: pra quê o cenário tentar ser uma representação fiel das ruas, canais e vielas de Veneza? Algo mais abstrato e simples causaria melhor efeito.
Apesar de tudo, me diverti.
Escrito por Celso Jr. às 09h54
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BACK TO BAHIA
De volta a Salvador.
Toda a orla da Barra e Ondina em obras. Obras malucas de um prefeito doido que resolveu fazer nos últimos meses de seu governo tudo o que não foi capaz nos últimos quatro anos. Desespero de quem quer se reeleger. Não terá meu voto.
Não avistei nenhum pingüim até agora. Soube que já foram capturados mais de 400, nas praias de Salvador e Eunápolis. Até agora não vi nenhum.
Às vezes chove. Para quem passou quatro semanas de estiagem extrema em São Paulo, parece um milagre.
Ontem fomos assistir Amar ... Não tem preço, um filme francês que parece uma refilmagem (releitura) de Bonequinha de luxo. Filme divertido, com locações deslumbrantes e atuações impagáveis. Recomedadíssimo.
Hoje fomos assistir ao espetáculo circense-teatral L'Oratorio de Aurelia, com a aclamada neta de Charles Chaplin no elenco. É um espetáculo de boulevard, com números de ilusionismo. Fragmentos e imagens soltas. Belas imagens. Algumas realmente surpreendentes, como o momento em que um trem de brinquedo atravessa o corpo da atriz. Bem bonito.
Mas eu gosto de historinha. Eu gosto de narrativas. E isso o espetáculo não tem.
Hoje no almoço testei a minha máquina de macarrão. Fiz a massa de um fetuccini. Massa fininha, leve e saborosa. Fiz um molho bolonhesa para acompanhar. Ficou uma delícia. Minhas cobaias (Adriana, Breno e Leonardo) aprovaram. E eu me diverti muito fazendo a massa, afinando em delicadas lâminas e depois cortando em tiras finas. Terapêutico e divertido.
O que está tocando do iTunes: Philip Glass - Concerto para violino e orquestra. Tocou um trecho no L'Oratorio de Aurelia, fiquei com vontade de ouvir inteira.
Escrito por Celso Jr. às 00h09
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DIÁRIO DE VIAGEM #ÚLTIMO DIA - SEGUNDA-FEIRA - 28 DE JULHO
Depois de passar boa parte da madrugada arrumando malas, acordamos relativamente cedo.
Fomos tomar café-da-manhã na padaria Santa Efigênia, onde fomos acompanhados por Hélio que veio fazer um lanche e se despedir.
Então subimos de ônibus até a Paulista. Tínhamos uma série de pequenas tarefas a cumprir antes da viagem.
Fomos ao Center 3 para Léo tentar trocar um brinquedo que ele havia comprado lá. Depois descemos a Augusta, em direção aos Jardins, para pegar uma roupa na Forum que ele tinha deixado para fazer um ajuste. Ele ainda trocou uma camiseta na Siberian da Oscar Freire.
Descemos de ônibus até o Iguatemi, onde havia uma missão a ser cumprida na Dolce & Gabbana.
Missão cumprida, resolvemos almoçar no Iguatemi mesmo. Refeição rápida e baratinha no Viena. Depois um bolo de laranja e um mate gelado.
São Paulo estava seca e quente.
Na volta para casa, resolvi tomar um caminho para passar em frente às concessionárias de carrões importados, para mostrar para Léo. De repente, houve uma metamorfose, Leonardo entrou no túnel do tempo e se transformou em um garoto de 6 anos de idade, diante das Ferraris, Porsches e Lamborghinis. Ele ficou encantado com os carrões. Ficamos feito doidos andando de um lado para o outro da rua Colômbia. Léo totalmente hipnotizado pelos carros bacanas.
Subimos de ônibus. O tempo estava acabando. Ainda tivemos de pegar uma jaqueta na lavanderia da rua Caio Prado. Voltamos pra casa e acionamos um taxi grande que coubesse toda a bagagem.
O vôo estava marcado para as 22h40min. Estávamos com medo do trânsito. Então marcamos o táxi para as 19h30min.
Pegamos um pequeno engarrafamento na saída para a radial leste, mas depois fomos tranquilos, em 25 minutos estávamos em Congonhas.
Tib foi direto do trabalho ao aeroporto nos encontrar para se despedir.
Depois de pagar uma fortuna de excesso de bagagem, embarcamos no vôo da Varig.
A Varig é ótima! Há bastante espaço entre as poltronas e serviram comida quente durante o vôo! Adorei Varig! A gente está tão mal acostumado com o aperto da Tam e da Gol que chega a ser um luxo o espaço para as pernas, na Varig. Recomendo!
Salvador nos recebeu com chuva. Chuva de verdade. A primeira chuva que eu vi caindo do céu em quase um mês. Meu aparelho respiratório agradeceu a umidade.
De volta a Salvador.
Escrito por Celso Jr. às 09h48
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