.:cadernos grampeados:.
   OS GAFANHOTOS DA AXÉ-MUSIC

A axé-music está em franca decadência em terras baianas. Não vende mais. Não há absolutamente nada de novo no horizonte que se enxerga dos trios elétricos. Os ratos estão abandonando esse barco furado. (Não vou citar nomes nem apontar ninguém que use bandana na cabeça)

Infelizmente, as hordas de pseudo-músicos migra para onde ainda há cachê bom. Nuvens de gafanhotos, depois de arrasarem os campos verdes e férteis do vizinho, vão procurar outros campos mais distantes.

A música de carnaval da Bahia vai além dessa praga axé. De Assis Valente a Caetano Veloso, passando por Morais Moreira, a música baiana sempre ofertou bons exemplos de composições carnavalescas.

A axé-music veio num momento em que a cultura brasileira passava por uma ressaca (lá nos tempos de Collor, em que os pop-sertanejos afloraram) e trazia uma alegria necessária para tirar o povo da depressão pós-Collor.

Mas é preciso separar o joio do trigo. Saulo, ok. Ivete, ok. Claudia Leitte e o embuste Vinte4meia9 merecem voltar pro lixo de onde vieram. Sem qualquer preocupação estética além de "vender", acabarão sendo consumidos pela entropia do sucesso sem combustível.

Como disse certa vez Daniela Mercury, numa entrevista a um jornal francês: "O projeto estético de muitos 'artistas' da axé-music é comprar uma casa bacana em Vilas".

Mas, vai passar. Vai passar. O mercado tentou matar Luis Caldas (que é um excelente músico autodidata) e acabou sendo resgatado pela qualidade da sua música. EM resumo, é assim, quem tem competência musical, vai sobreviver.

Bem... é isso.


Escrito por Celso Jr. às 22h03
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   Mais uma vez

(António Ladeira/Stacey Kent)

 

Mais uma vez
O céu azul voltou
A chuva já parou
A primavera me ensinou amar você

Mais uma vez
Os rios obedeceram aquela leia antiga
Que manda em minha vida
A vida destruída
Restituída

Mais uma vez

Mais uma vez
sonhei que as flores voltavam
E um pássaro cruzava todo o azul do céu
Do nosso céu

Mais uma vez
Me lembro o que dissemos
Ou o que desdissemos
Sossego que não queremos
Sossego que não quisemos
Dizer adeus

Mais uma vez

Mais uma vez
Aqui em frente ao espelho
Invento outro conselho
Me dou o que não tenho
Eu vou mas sempre venho

Mais uma vez
O amor que a gente faz
O amor que a gente fez
O que morreu e hoje nasceu é seu

Mais uma vez



Escrito por Celso Jr. às 02h19
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   AS AVÓS

Geralmente, a morte dos avós nos prepara para a perda dos pais.

Comigo foi ao contrário. Hoje morreu minha avó materna, D. Dalila, aos 88 anos de idade, em Porto Alegre, mais de 20 anos após a morte da minha mãe. Há dois anos, morreu D. Ísis, quase 10 anos após a morte de meu pai, filho dela.

Minhas duas avós sobrevieram à morte de seus filhos.

Se, por um lado, foi terrível perder pai e mãe tão cedo, não tenho modos de mensurar a dor e a tristeza da perda dos filhos, que minhas duas avós sentiram e passaram.

D. Ísis, a mãe de meu pai, foi uma fortaleza, desquitada nos anos 50, sustentou sozinha meu pai, filho único. Ela sempre foi um farol nas nossas vidas. Era chamada de Sargento Ísis, devido à sua constante e pertinaz persistência no comando da vida de cada um de nós.

D. Dalila era gaúcha, foi casada com Sr. Guaracy, meu avô (que morreu quando eu tinha 7 ou 8 anos) e tinha um salão de cabeleireiros em Bagé, minha cidade natal. Fora a ironia de uma Dalila cortar os cabelos e de se orgulhar das belas pernas, era uma excelente cozinheira, um colo quente e aconchegante e manteve a alegria quase infantil até o fim. Acho que muito do meu prazer em cozinhar para as pessoas foi herdado dela. Lembro dos momentos na cozinha, ela cortando tomates luzidios, fazendo massa em casa, incentivando que comêssemos a carne que havia sido usada no preparo dos molhos.

D. Dalila sempre teve o colo mais farto e aconchegante de todos. Minha mãe a chamava de "A gorda". Na juventude, lembrava Gina Lollobrigida.

Dalila está sendo recebida agora pelos três filhos que ela perdeu. Minha mãe, tio Danilo e tia Juçara já estão do outro lado. E devem estar recebendo-a com alegria. (Acho que o lado de lá tá ficando mais povoado que o de cá, mas isso é assunto pra outro dia)

Adeus, D. Dalila. Meu amor por vc não morreu. Até breve...




Escrito por Celso Jr. às 02h04
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